"Por que ler Moby Dick?" é a pergunta que abre o novo livro do historiador best-seller Nathaniel Philbrick, publicado no último dia 20, dois dias depois da obra-prima de Herman Melville completar 160 anos desde a sua publicação original, em 1851.
Nesta semana comemorativa, a Vanity Fair publicou um ótimo e extenso artigo, escrito por Philbrick, que fala sobre como, mesmo após 160 anos, Moby Dick não é apenas o Grande Romance Americano, e sim uma obra que mantém-se extremamente relevante, sendo um manual de sobrevivência em tempos de crises e um desafio para os Ahabes de cada século.
No artigo recentemente publicado, Nathaniel Philbrick narra, de maneira breve, o que é tratado em seu novo livro, que já desponta entre os mais vendidos da Amazon.
Uma das maiores referências atuais sobre a obra de Melville, Philbrick afirma que simplesmente a odiava, pelo fato de que seu pai, um professor de inglês especializado em literatura americana com fundo marítimo, complexamente a venerava.
Mas tudo acaba mudando, quando, no último ano de colegial, é obrigado a ler Moby Dick, e vê-se em uma daquelas raras ocasiões em que um adolescente tem de admitir que seu pai está certo.
Uma das maiores referências atuais sobre a obra de Melville, Philbrick afirma que simplesmente a odiava, pelo fato de que seu pai, um professor de inglês especializado em literatura americana com fundo marítimo, complexamente a venerava.
Mas tudo acaba mudando, quando, no último ano de colegial, é obrigado a ler Moby Dick, e vê-se em uma daquelas raras ocasiões em que um adolescente tem de admitir que seu pai está certo.
Tendo lido a obra-prima de Melville por mais de doze vezes, de capa a capa, Philbrick ainda cultiva a voz de Ismael como o melhor amigo, que não tinha encontrado antes da primeira leitura. E, mesmo depois de quase quarenta anos, conserva-o como sua alma gêmea e principal conselheiro espiritual. E Philbrick não poderia ter feito escolhas mais certeiras.
Ismael não é apenas engraçado, sábio, generoso e mais uma infinidade de bons adjetivos. Ele é o sobrevivente perfeito e o único que vive para contar o encontro de Ahab com a baleia branca, e embalar gerações e gerações.
Mas, voltando ao que Nathaniel Philbrick disse, Moby Dick não representa apenas o Grande Romance Americano. É o Grande Romance de Todos os Tempos. Um manual metafísico de sobrevivência. O melhor guia que existe para um leitor que se encontra agora diante de um impenetrável desconhecido: o futuro da tempestuosa civilização do século XXI.
O profundo envolvimento histórico, e o desenvolvimento da intensa imaginação de Melville fez com que o romance que ele escreveu e re-escreveu ao longo de um ano a partir de setembro de 1850 fosse muito mais do que uma história sobre uma viagem baleeira ao Pacífico.
Verdadeiramente, o que está contido nas páginas de Moby Dick é, nada mais, nada menos, que o código genético americano: todas as promessas, problemas, conflitos e ideais que contribuíram para uma revolução em 1775 e estavam prestes a precipitar uma guerra civil em 1861, que continuam a guiar o país mesmo depois de 160 anos, mesmo que pela atual 'guerra ao terror'.
Isto significa que, sempre que uma crise circunda os EUA, Moby Dick torna-se novamente importante. É por esse motivo que as gerações subsequentes viram Ahab como Hitler, durante a II Guerra Mundial, ou, voltando para os dias de hoje, como um dos obcecados e poderosos ditadores do Oriente Médio.
São por esses motivos que Ahab, Ismael e tantos outros personagens continuam e continuarão a serem vistos por séculos e séculos, em mais diferentes e inusitadas circunstâncias. E também são por esses motivos que a obra imortal de Herman Melville continuará a penetrar a nossa história, a influenciar nosso mundo, sempre que houver crise, ou melhor, enquanto o mundo for mundo.
E, logo, gerações e gerações ainda terão a graça de ouvir a apaixonante e marcante frase de abertura 'Chamai-me Ismael'. Ao menos enquanto houver crise. Ou enquanto houver mundo.
O profundo envolvimento histórico, e o desenvolvimento da intensa imaginação de Melville fez com que o romance que ele escreveu e re-escreveu ao longo de um ano a partir de setembro de 1850 fosse muito mais do que uma história sobre uma viagem baleeira ao Pacífico.
Verdadeiramente, o que está contido nas páginas de Moby Dick é, nada mais, nada menos, que o código genético americano: todas as promessas, problemas, conflitos e ideais que contribuíram para uma revolução em 1775 e estavam prestes a precipitar uma guerra civil em 1861, que continuam a guiar o país mesmo depois de 160 anos, mesmo que pela atual 'guerra ao terror'.
Isto significa que, sempre que uma crise circunda os EUA, Moby Dick torna-se novamente importante. É por esse motivo que as gerações subsequentes viram Ahab como Hitler, durante a II Guerra Mundial, ou, voltando para os dias de hoje, como um dos obcecados e poderosos ditadores do Oriente Médio.
São por esses motivos que Ahab, Ismael e tantos outros personagens continuam e continuarão a serem vistos por séculos e séculos, em mais diferentes e inusitadas circunstâncias. E também são por esses motivos que a obra imortal de Herman Melville continuará a penetrar a nossa história, a influenciar nosso mundo, sempre que houver crise, ou melhor, enquanto o mundo for mundo.
E, logo, gerações e gerações ainda terão a graça de ouvir a apaixonante e marcante frase de abertura 'Chamai-me Ismael'. Ao menos enquanto houver crise. Ou enquanto houver mundo.
No Brasil, nós temos uma ótima edição de Moby Dick, lançada recentemente pela Cosac Naify, que conta com a tradução de Alexandre Barbosa de Souza em conjunto com Irene Hirsch e foi vencedora do 51º Prêmio Jabuti na categoria 'Capa'. O livro está disponível para venda na Livraria Cultura.


Nenhum comentário:
Postar um comentário