domingo, 4 de setembro de 2011

Patti Smith & Brasil - Finalmente


E os brasileiros finalmente resolveram se encantar com Patti Smith - ou, ao menos, demonstrar isso. Conhecida como a "madrinha" e percursora do punk, através do histórico álbum Horses, a americana trouxe à música o  seu lado feminista e intelectual, além de unir com maestria jamais vista a poesia e o rock, tornando-os interdependentes. 

Vinda de uma família com pai ateu e mãe testemunha de Jeová, Patti já começou a trabalhar aos 16 anos, tendo um filho logo em seguida, que foi dado à adoção. Logo depois, em 1967, mudou-se para New York, conhecendo Robert Mapplethorpe, um fotógrafo homossexual pelo qual nutriu grande amizade até o seu falecimento, em 1989. 

Durante a década de 70, Patti Smith pintou, escreveu e participou de recitais, atuando também em peças de teatro. Passou então a sustentar sua carreira publicando artigos sobre rock, e, em 1974, já fazia shows, sendo que, inicialmente, contava apenas com um guitarrista, passando depois a contar também com baterista e pianista. A primeira música gravada foi Piss Factory/Hey Joe, ainda em 74. 

The Patti Smith Group lançou Horses,  o seu primeiro álbum, em 1975, o qual foi considerado o melhor disco de estreia já lançado por um artista. As palavras ditas na abertura por Patti Smith são uma das mais famosas da história, "Jesus died for somebody's sins... but not mine" (Jesus morreu pelos pecados de alguém... mas não pelos meus) e a foto usada na capa, tirada por Mapplethorpe, tornou-se uma imagem clássica do rock. 

Patti Smith passou então a fazer turnês pelo EUA e pela Europa, aumentando cada vez mais a popularidade do punk. Depois de mais alguns álbuns lançados, vértebras quebradas e mortes que a afetaram profundamente, a madrinha deste movimento revolucionário isolou-se então do mundo da música, retornando em 1995, quando fez uma breve turnê junto à Bob Dylan. Voltou à New York quando seu filho, Jackson, completou 12 anos. Era sua volta definitva ao cenário musical.

Em 2004, o seu álbum Trampin' foi muito bem recebido pela crítica, e fez com que voltasse a Billboard 200. Já em 2005 foi nomeada líder da Ordre des Arts et des Lettres. 

Em 2006, Patti Smith foi anunciada como uma das atrações do Tim Festival, fato que, aliado ao boom da internet, propiciou um curioso fenômeno que teve sua explosão no último ano: ela finalmente passou a ser reconhecida como, ao menos, merece no Brasil. Desde que teve lançado pela Companhia das Letras o livro Só Garotos, é iminente sua popularização e, consequentemente, o espaço dado a ela pela mídia. Anunciado como seu romance autobiográfico, Só Garotos emplacou na lista de mais vendidos da Veja e agora está sendo adaptado para o cinema. Curioso que nenhum portal desmereceu essa informação, ou a deixou no rodapé, ao contrário: os portais deram destaque como dificilmente dão à algum livro a ser adaptado.

E, talvez, mais surpreendente ainda foi o espaço dado na mídia brasileira ao fato de que Patti Smith foi agraciada com o Polar Music Prize neste ano, enfatizando a notícia com elogios rasgados e dando ao prêmio o status de "Nobel da Música".

Talvez tenha sido tarde demais, mas, final e definitivamente, Patti Smith, a poestisa do punk, tem seu valor reconhecido no Brasil.



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